Alongamento ou Aquecimento para evitar lesões?
Pesquisadores dos Centros de Controle e Prevenções de Doenças, nos Estados Unidos, revisaram mais de 350 estudos e artigos sobre a relação entre alongamento e lesões e chegaram à conclusão de que o alongamento tem pouco ou nenhum efeito sobre a prevenção de lesões.
O alongamento aumenta a flexibilidade. No entanto, a maior parte das lesões ocorrem durante a extensão dos músculos durante os movimentos. O aquecimento antes de qualquer atividade física é o que evita as lesões, ao aumentar vagarosamente o fluxo de sangue e dar aos músculos chance de se preparar para a atividade a seguir. O ideal é um aquecimento completo ou específico para cada esporte. Portanto, aqueçam-se antes de qualquer esporte físico!
O alongamento é largamente utilizado como parte do processo de aquecimento nas mais diversas práticas de atividade física, geralmente com três objetivos principais: aquecimento geral, meio para evitar lesões e meio para melhorar a performance esportiva . Diversos autores e profissionais recomendam o alongamento baseados na premissa de que esta prática acarretará aumento na flexibilidade que, por sua vez, diminuirá a incidência de lesões.
Muito embora o alongamento esteja profundamente arraigado nas mais diversas áreas da educação física, trabalhos recentes vêm apresentando resultados que contestam os supostos benefícios atribuídos à sua prática. Alguns estudos, inclusive, mostraram diminuição na performance muscular após alongamento estático. Por esta razão, tais autores não recomendam a realização de alongamento no aquecimento para provas que requeiram força e potência muscular. Há também trabalhos que demonstraram que o efeito do alongamento estático sobre a flexibilidade quando é realizado por períodos de 20 a 30 segundos não difere dos efeitos do alongamento realizados por tempos maiores . Baseados neste achado, autores como Alter recomendam a realização de alongamento por um período máximo de 20 a 30 segundos durante o aquecimento, para que não haja prejuízo na
performance, porém não explicam qual seria o efeito de tal prática. Já outros autores afirmam não haver efeitos fisiológicos quando o alongamento é realizado neste intervalo de tempo .
Neste cenário de informações contraditórias surge a questão que permeia este texto: se o alongamento estático prejudica a performance quando realizado por períodos de tempo longos e não tem efeitos sobre a flexibilidade se realizados por períodos de tempos curtos, qual seria a verdadeira função do alongamento no processo de aquecimento? Um dos poucos trabalhos que sugerem algum efeito benéfico é o de Ekstrand et al. (40), que mostrou que um grupo de jogadores de futebol profissional submetidos a determinado regime de alongamento, aquecimento, utilizando calçados específicos e proteção de tornozelos, com reabilitação supervisionada, educação e acompanhamento por profissionais tiveram 75% menos lesões que o grupo de controle. Outros estudos também confirmaram este resultado, ambos usando pelo menos uma outra intervenção além do alongamento estático , fato este que não contribui para que respondamos os questionamentos levantados anteriormente.
A idéia principal por trás da prescrição de alongamentos é que um músculo mais flexível tem menos chances de se lesionar. Entretanto, pouca literatura disponível demonstra que um aumento na flexibilidade está associado a maior capacidade de absorver energia (18). Além disso, vale lembrar que a maioria das lesões ocorre durante contrações excêntricas dentro de uma amplitude articular norma. Se, portanto, as lesões ocorrem dentro de uma amplitude articular normal, por que uma amplitude articular aumentada evitaria lesões?
